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A produção de vinhos finos no Brasil está voltada
principalmente aos vinhos varietais. A qualidade destes vinhos depende,
em grande parte, de sua composição aromática, particularmente
no que se refere à presença de aromas primários. Uma
vez que os vinhos varietais são, de um modo geral, mais valorizados
pela sua capacidade de distinção de aromas primários,
a ausência destes aromas nestes vinhos dificulta o reconhecimento
de sua qualidade e os tornam pouco atrativos aos consumidores. Por isso,
a busca destes aromas primários com a aplicação de
preparados enzimáticos para esta função específica,
torna-se imprescindível para a valorização do vinho
varietal.
O aroma é um dos parâmetros principais na qualidade de um vinho e é conferido por um grande número de compostos que são classificados em três grupos: aromas secundários e terciários que são aromas da fermentação e do envelhecimento dos vinhos; e aromas primários ou varietais que são provenientes da própria uva e definem a qualidade e a tipicidade de um vinho. Em função
de uma complexidade de fatores, principalmente relacionados ao sistema
vitícola e as variedades de uva, muito vinhos se apresentam pobres
ou nulos em aroma varietal. As tecnologias de vinificação
atualmente empregadas, tais como leveduras selecionadas, maceração
a frio e controle de temperatura durante a fermentação têm
se mostrado eficientes na melhoria dos aromas secundários (aromas
de fermentação), porém pouco eficientes no aumento
dos aromas primários (varietais). A liberação através
de enzimas glicosidásicas dos compostos aromáticos que se
encontram combinados pode promover um acréscimo importante à
quantidade de aromas primários.
Certos procedimentos de vinificação, tais como maceração pelicular, permitem solubilizar os precursores que poderão liberar parcialmente os terpenóis. A uva e as leveduras possuem atividades enzimáticas capazes de liberar os terpenóis, mas elas são inadequadas ou estão em baixas concentrações. A utilização de preparados enzimáticos serve para acelerar um processo muito lento em eficácia, no que diz respeito à liberação de aromas terpênicos em vinhos moscato, e é uma ferramenta fundamental que está ao alcance do enólogo para complementar este processo disponível na natureza. Ao longo
dos últimos anos, a utilização de preparados enzimáticos
industriais foi estudada em múltiplos campos de aplicação
e as perspectivas de desenvolvimento da Biotecnologia são ainda
numerosas. A razão do sucesso do uso das preparações
enzimáticas pode ser explicada pela sua eficiência, sua precisão,
sua comodidade de emprego, sua compatibilidade com o meio ambiente, e por
contribuir significativamente para a qualidade do produto final sem interferir
nos custos de produção.
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